Arquivar 20 de outubro, 2020

Joanete: vale a pena operar?

Uma das cirurgias que mais geram receio entre os pacientes na Ortopedia é a cirurgia para correção do joanete, também conhecido como hálux valgo.

Muitas pessoas que têm essa deformidade convivem com dor, dificuldade para encontrar calçados confortáveis e limitações para caminhar ou praticar atividades físicas. Mesmo assim, acabam adiando a cirurgia por medo da recuperação ou por terem ouvido relatos negativos de pessoas que passaram pelo procedimento há muitos anos.

Mas será que a cirurgia de joanete ainda é tão complicada como antigamente? E, afinal, vale a pena operar o joanete?

É importante entender que boa parte dessa fama negativa vem das técnicas cirúrgicas utilizadas no passado. Há 20 ou 30 anos, algumas operações eram mais agressivas, exigiam períodos prolongados de imobilização e podiam deixar o paciente sem apoiar o pé no chão durante várias semanas.

Alguns pacientes mais velhos ainda relatam experiências de recuperação bastante difíceis, incluindo períodos de até 90 dias sem apoiar o pé.

Felizmente, a cirurgia de joanete evoluiu muito. Atualmente, existem técnicas mais modernas, incluindo a cirurgia minimamente invasiva de joanete, que utiliza pequenas incisões e instrumentos específicos para corrigir a deformidade.

Essas técnicas podem proporcionar uma recuperação mais confortável e menos agressiva em pacientes adequadamente selecionados. O tempo de recuperação, entretanto, depende do tipo de deformidade, da técnica utilizada e das características de cada paciente.

O que acontece quando o joanete não é operado?

O joanete é uma deformidade que provoca o desvio do dedão em direção aos outros dedos, fazendo com que apareça uma saliência na parte interna do pé.

Com o passar do tempo, essa deformidade pode provocar dor, vermelhidão e dificuldade para utilizar calçados fechados. Em alguns pacientes, o dedão chega a pressionar os outros dedos, causando deformidades adicionais.

Nem todo joanete precisa ser operado. Existem pessoas que apresentam uma deformidade importante, mas praticamente não sentem dor ou não têm limitações nas atividades do dia a dia.

Por outro lado, há pacientes com deformidades menores que apresentam bastante desconforto, principalmente ao caminhar, praticar exercícios ou utilizar determinados tipos de calçados.

Por isso, a indicação da cirurgia não depende apenas do tamanho do joanete, mas principalmente dos sintomas e do impacto que ele provoca na qualidade de vida.

O que dizem os estudos científicos sobre a cirurgia de joanete?

Um dos estudos científicos mais interessantes sobre esse assunto foi publicado em 2001 na revista médica JAMA, pelo pesquisador finlandês Markus Torkki e colaboradores.

Os pesquisadores acompanharam 209 pacientes com joanetes dolorosos e dividiram os participantes em três grupos:

  • Um grupo foi submetido à cirurgia para correção do joanete.
  • Outro grupo recebeu tratamento com órteses, dispositivos utilizados para tentar aliviar os sintomas.
  • O terceiro grupo permaneceu em observação, sem tratamento específico.

Após um ano de acompanhamento, os pesquisadores observaram que os pacientes operados apresentaram os melhores resultados, com maior redução da dor, melhora da função do pé e maior satisfação com o tratamento.

Esse estudo é particularmente interessante porque demonstra que, em pacientes com joanete doloroso, a cirurgia pode oferecer benefícios superiores aos tratamentos conservadores.

É importante lembrar que o trabalho avaliou uma técnica cirúrgica específica e pacientes com determinadas características. Portanto, seus resultados não significam que toda pessoa com joanete precise de cirurgia.

Você pode consultar o estudo original no PubMed – Surgery vs Orthosis vs Watchful Waiting for Hallux Valgus.

Quando vale a pena operar o joanete?

Na minha experiência, essa é uma das perguntas mais frequentes durante as consultas.

Minha resposta é que a cirurgia vale a pena quando o joanete provoca dor, dificuldade para utilizar calçados ou limitações nas atividades do dia a dia, especialmente quando essas queixas persistem apesar das medidas de tratamento não cirúrgico.

Algumas situações que podem indicar a necessidade de cirurgia são:

  • Dor frequente na região do joanete.
  • Dificuldade para encontrar calçados confortáveis.
  • Dor durante caminhadas ou atividades físicas.
  • Vermelhidão e irritação provocadas pelo atrito com os calçados.
  • Desvio progressivo do dedão, especialmente quando começa a comprometer os outros dedos.

É importante destacar que a cirurgia não deve ser indicada apenas por razões estéticas. O objetivo principal é aliviar a dor, corrigir a deformidade e melhorar a função do pé.

A cirurgia de joanete é muito dolorosa? Como é a recuperação?

Esse é provavelmente um dos maiores receios dos pacientes.

As técnicas atuais permitem realizar a correção do joanete de maneira menos agressiva em muitos casos. A cirurgia minimamente invasiva, por exemplo, utiliza pequenas incisões e instrumentos especiais para realizar as correções ósseas necessárias.

Dependendo da técnica empregada, o paciente pode começar a caminhar precocemente, utilizando um calçado pós-operatório específico para proteger o pé durante a recuperação.

Entretanto, é importante entender que a cirurgia envolve a correção de estruturas ósseas e exige um período de cicatrização. É normal apresentar algum grau de dor e inchaço nas primeiras semanas.

O tempo necessário para retornar ao trabalho, dirigir, praticar exercícios e utilizar calçados habituais varia de acordo com cada caso e com a técnica utilizada.

Se quiser conhecer melhor esse procedimento, leia também nosso artigo sobre cirurgia minimamente invasiva de joanete.

Afinal, vale a pena operar o joanete?

Quando um paciente me pergunta se vale a pena operar o joanete, minha resposta é: depende dos sintomas e das limitações que a deformidade provoca.

Se existe dor, dificuldade para utilizar calçados e prejuízo nas atividades do dia a dia, a cirurgia pode ser uma excelente alternativa, especialmente quando os tratamentos conservadores não proporcionaram alívio satisfatório.

Por outro lado, se o joanete não provoca dor ou limitações, não existe necessidade de operar apenas porque a deformidade está presente.

O mais importante é realizar uma avaliação individualizada, considerando o grau da deformidade, os sintomas, as expectativas do paciente e as opções de tratamento disponíveis.

Se você tem joanete e está em dúvida sobre a necessidade de cirurgia, procure um ortopedista especializado em cirurgia do pé e tornozelo.

Uma avaliação adequada pode ajudar a esclarecer suas dúvidas e identificar o tratamento mais indicado para o seu caso.

Dr. André Donato
Ortopedia e Cirurgia do Pé e Tornozelo

Agendamento de consultas:
Telefone: (11) 2165-2384
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Dor no Calcanhar da Criança

A causa mais frequente de dor no calcanhar das crianças é a Osteocondrite de Sever ou Doença de Sever.

Local da dor na Doença de Sever

O que é a doença de Sever?
A doença de Sever (também conhecida como apofisite do calcâneo) é um tipo de lesão óssea na qual a placa de crescimento na parte inferior do calcanhar, onde o tendão de Aquiles se liga, fica inflamado e causa dor . A doença de Sever é a causa mais comum de dor no calcanhar em crianças, especialmente aquelas que se exercitam ou praticam esportes regularmente.

O que causa a doença de Sever?
O osso do calcanhar cresce mais rápido do que os ligamentos da perna. Como resultado, os músculos e tendões podem ficar muito tensos e esticados em crianças que estão passando por estirões de crescimento (fases onde o crescimento fica mais acelerado). O calcanhar é especialmente suscetível a lesões, já que o pé é uma das primeiras partes do corpo a crescer e a área do calcanhar não é muito flexível. A doença de Sever ocorre como resultado de estresse repetitivo no tendão de Aquiles. Com o tempo, essa pressão constante no já tenso tendão do calcanhar pode danificar a placa de crescimento, causando dor e inflamação.

Esse estresse e pressão podem resultar de:

  1. Esportes que envolvem correr e pular em superfícies duras (atletismo, basquete e ginástica).
  2. Ficar muito tempo em pé, o que coloca pressão constante no calcanhar sapatos mal ajustados que não fornecem suporte ou acolchoamento suficiente para os pés
  3. Exercícios excessivos ou muito intensos também podem causar a doença de Sever

    A doença de Sever é mais provável de ocorrer durante a fase do crescimento que ocorre na adolescência. Para as meninas, estirões da adolescência ocorrem entre 8 e 13 anos de idade. Para os meninos, geralmente é entre 10 e 15 anos de idade.

A parte de trás do calcanhar endurece e torna-se mais forte quando termina de crescer, razão pela qual Sever raramente ocorre em adolescentes mais velhos.

Quais são os sintomas da doença de Sever?
Os sintomas mais comuns de Sever envolve dor ou sensibilidade em um ou ambos os calcanhares. Essa dor geralmente ocorre na parte de trás do calcanhar, mas também pode se estender para as laterais e parte inferior do calcanhar.

Uma criança com Sever também pode ter estes problemas comuns:

  1. Dor no calcanhar especialmente depois de correr
    dificuldade em caminhar.
  2. Desconforto ou rigidez nos pés ao acordar
    inchaço e vermelhidão no calcanhar
    Os sintomas geralmente são piores durante ou após a atividade e melhoram com o repouso.

O tratamento, na maioria dos casos, envolve a diminuição da intensidade e frequência das atividades físicas de impacto, analgésicos se necessário e uso de calçados mais macios na região do calcanhar. Algum pacientes pode precisar de fisioterapia para a melhora completa dos sintomas.

O importante é consultar o ortopedista para a correta orientação em cada caso. O problema desaparece ao final do crescimento e não costuma deixar qualquer sequela.

Para agendar uma consulta ligue (011) 2165-2384 / 96307-5857 ou 96307-5868
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