Arquivar 1 de junho, 2023

Fratura do tornozelo: tratamento, cirurgia e recuperação

Fratura do tornozelo: tratamento, cirurgia e recuperação

A fratura do tornozelo é uma lesão relativamente comum e pode ocorrer após uma torção, uma queda ou um acidente. A gravidade varia desde pequenas fraturas sem desvio até lesões complexas que comprometem a estabilidade da articulação e exigem tratamento cirúrgico.

A escolha do tratamento depende do tipo de fratura, do deslocamento dos fragmentos ósseos, da estabilidade do tornozelo e das condições clínicas do paciente. Em alguns casos, é possível obter uma boa recuperação com imobilização e restrição de apoio. Em outros, a cirurgia é necessária para restaurar o alinhamento dos ossos e a estabilidade articular.

Neste artigo, explico como é feito o diagnóstico da fratura do tornozelo, quando a cirurgia é indicada e quais são as principais etapas da recuperação.

O que é uma fratura do tornozelo?

O tornozelo é formado principalmente pela extremidade inferior da tíbia, pela extremidade inferior da fíbula e pelo tálus, osso que conecta o pé à perna.

A tíbia e a fíbula formam uma estrutura semelhante a um encaixe, no qual o tálus se movimenta durante os movimentos do tornozelo. A integridade dessa estrutura é fundamental para manter a estabilidade da articulação e distribuir adequadamente as cargas durante a caminhada.

As fraturas podem acometer diferentes regiões:

  • Maléolo lateral: corresponde ao osso localizado na parte externa do tornozelo.
  • Maléolo medial: corresponde à parte interna do tornozelo.
  • Maléolo posterior: envolve a porção de trás do osso do tornozelo.

Quando a fratura acomete apenas um desses segmentos, é denominada unimaleolar. Quando envolve dois, é chamada bimaleolar. A fratura trimaleolar compromete os três segmentos.

Entretanto, o número de maléolos fraturados não determina, isoladamente, a gravidade da lesão. A estabilidade da articulação, o deslocamento dos fragmentos e o comprometimento dos ligamentos também precisam ser considerados.

Quais são os sintomas da fratura do tornozelo?

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor no tornozelo, principalmente ao tentar apoiar o pé.
  • Inchaço, que pode surgir rapidamente após o trauma.
  • Hematomas e alterações na coloração da pele.
  • Dificuldade ou incapacidade de caminhar.
  • Deformidade, nos casos em que ocorre deslocamento dos fragmentos ósseos.

Nem toda fratura provoca deformidade evidente. Algumas lesões podem apresentar sintomas semelhantes aos de uma entorse, por isso a avaliação clínica é importante.

Quando há suspeita de fratura, especialmente após um trauma importante, é recomendável procurar atendimento médico. Fraturas expostas, deformidades importantes, pé frio ou pálido, dormência progressiva ou dor intensa associada a inchaço acentuado exigem avaliação de urgência.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica, incluindo o mecanismo do trauma, a localização da dor, o inchaço, a integridade da pele e as condições circulatórias e neurológicas do pé.

A radiografia do tornozelo geralmente é o primeiro exame utilizado para identificar a fratura, avaliar o alinhamento dos ossos e verificar a presença de deslocamento.

Em algumas situações, principalmente nas fraturas complexas ou que envolvem a região posterior da tíbia, a tomografia computadorizada ajuda a compreender melhor o padrão da lesão e a planejar o tratamento cirúrgico.

Também é importante avaliar a sindesmose, estrutura ligamentar que mantém a relação entre a tíbia e a fíbula, pois sua lesão pode comprometer a estabilidade do tornozelo.

Como é feito o tratamento da fratura do tornozelo?

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. A decisão depende principalmente da estabilidade da articulação e da manutenção de um alinhamento adequado entre os ossos.

Tratamento conservador: quando não é necessário operar?

O tratamento sem cirurgia pode ser indicado em fraturas estáveis, sem deslocamento significativo e com alinhamento articular preservado.

Nesses casos, as opções incluem:

  • Imobilização com bota ortopédica ou gesso, conforme o tipo de fratura.
  • Restrição do apoio do pé, quando necessária.
  • Uso de muletas para auxiliar na locomoção.
  • Radiografias de acompanhamento para verificar se o alinhamento permanece adequado.
  • Reabilitação progressiva após a fase inicial de proteção da fratura.

Nem toda fratura sem desvio inicial é necessariamente estável. Por isso, o acompanhamento clínico e radiográfico é importante para identificar eventuais deslocamentos durante a evolução.

O tempo de imobilização e a liberação do apoio variam conforme a localização da fratura, sua estabilidade e a evolução da consolidação óssea.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia costuma ser indicada quando a fratura provoca instabilidade do tornozelo, deslocamento significativo dos fragmentos ou perda do alinhamento adequado da articulação.

Entre as situações que podem exigir tratamento cirúrgico estão:

  • Fraturas deslocadas ou instáveis.
  • Fraturas bimaleolares ou trimaleolares com instabilidade articular.
  • Fraturas associadas à lesão da sindesmose, quando comprometem a estabilidade.
  • Fraturas com perda da congruência articular.
  • Fraturas expostas ou lesões em que não é possível manter uma redução adequada sem cirurgia.

A indicação deve ser individualizada. O fato de uma fratura envolver mais de um maléolo não significa, por si só, que a cirurgia seja obrigatória em todos os casos.

O objetivo é restabelecer o alinhamento dos ossos, recuperar a estabilidade do tornozelo e reduzir o risco de complicações decorrentes de uma articulação incongruente.

Como é feita a cirurgia da fratura do tornozelo?

A cirurgia geralmente consiste na redução dos fragmentos ósseos e na sua fixação com implantes, como placas e parafusos. O procedimento é conhecido como redução aberta e fixação interna.

O planejamento depende do padrão da fratura. Em alguns casos, é necessário fixar apenas a fíbula; em outros, também é preciso tratar o maléolo medial, o maléolo posterior ou a sindesmose.

Quando existe comprometimento importante dos tecidos moles, inchaço intenso ou bolhas traumáticas, pode ser necessário adiar a fixação definitiva até que as condições locais permitam uma abordagem mais segura.

Após a cirurgia, o paciente recebe orientações sobre cuidados com a ferida operatória, imobilização, apoio do pé e início da reabilitação.

Como é a recuperação após uma fratura do tornozelo?

A recuperação depende da gravidade da fratura, do tratamento realizado, da qualidade óssea, das condições clínicas do paciente e da evolução individual.

Quanto tempo demora para consolidar?

Muitas fraturas do tornozelo apresentam consolidação óssea inicial em aproximadamente seis a oito semanas, mas esse intervalo não se aplica a todos os casos. Fraturas complexas, lesões associadas e determinados fatores clínicos podem prolongar esse período.

Além disso, a consolidação óssea não significa necessariamente que o paciente já recuperou toda a mobilidade, força e capacidade de caminhar normalmente.

Quando é possível voltar a apoiar o pé?

O momento de iniciar o apoio depende do padrão da fratura e da estabilidade obtida com o tratamento.

Em algumas fraturas estáveis, o apoio pode ser permitido precocemente. Após determinadas cirurgias, também é possível iniciar o apoio antes da consolidação completa, desde que isso seja considerado seguro pelo cirurgião.

Em outras situações, pode ser necessário manter a restrição de carga por várias semanas.

O paciente não deve liberar o apoio por conta própria. A decisão deve considerar o tipo de fratura, a fixação realizada, as condições dos tecidos e os exames de acompanhamento.

Qual é o papel da fisioterapia?

A fisioterapia ajuda a recuperar a mobilidade, a força muscular, o equilíbrio e a capacidade de caminhar.

O programa de reabilitação pode incluir:

  • Exercícios progressivos de mobilidade do tornozelo.
  • Fortalecimento da musculatura da perna e do pé.
  • Treino de equilíbrio e propriocepção.
  • Reeducação da marcha.
  • Retorno gradual às atividades profissionais, esportivas e cotidianas.

O início e a intensidade dos exercícios devem respeitar a estabilidade da fratura e as orientações do médico responsável.

Quais são as possíveis sequelas de uma fratura do tornozelo?

Apesar de muitos pacientes apresentarem boa recuperação, algumas complicações podem ocorrer.

Entre as principais estão:

  • Rigidez articular: dificuldade para recuperar completamente os movimentos do tornozelo.
  • Dor persistente: pode estar relacionada à lesão inicial, à recuperação dos tecidos ou a outras complicações.
  • Artrose pós-traumática: desgaste progressivo da articulação, especialmente quando houve comprometimento da cartilagem ou incongruência articular.
  • Consolidação viciosa: cicatrização óssea em uma posição inadequada.
  • Consolidação retardada ou pseudartrose: atraso importante ou ausência de consolidação óssea.
  • Complicações da cirurgia: incluem problemas de cicatrização, infecção e desconforto relacionado aos implantes.

O risco dessas complicações varia de acordo com a gravidade da lesão, o alinhamento final do tornozelo e as características individuais do paciente. O acompanhamento adequado ajuda a identificar e tratar eventuais problemas durante a recuperação.

Perguntas frequentes sobre fratura do tornozelo

Toda fratura do tornozelo precisa de cirurgia?

Não. Fraturas estáveis e sem deslocamento significativo podem ser tratadas sem cirurgia. Quando há instabilidade ou perda do alinhamento articular, o tratamento cirúrgico pode ser necessário.

É possível caminhar com uma fratura do tornozelo?

Algumas pessoas conseguem apoiar o pé mesmo com uma fratura. Portanto, conseguir caminhar não exclui a possibilidade de lesão óssea. Na suspeita de fratura, a avaliação médica é importante para definir a necessidade de exames e a restrição de apoio.

Quanto tempo leva para voltar a andar normalmente?

A recuperação varia conforme o tipo de fratura e o tratamento. A consolidação inicial pode ocorrer em cerca de seis a oito semanas em muitos casos, mas a recuperação da marcha, da força e da mobilidade pode levar mais tempo, especialmente nas fraturas complexas.

É necessário retirar as placas e os parafusos depois da cirurgia?

Não necessariamente. Os implantes geralmente podem permanecer no local. A retirada pode ser considerada em situações específicas, como dor ou irritação relacionada ao material, após avaliação médica.

A fratura do tornozelo pode causar artrose?

Sim. Algumas fraturas podem aumentar o risco de artrose pós-traumática, principalmente quando existe lesão da cartilagem ou quando o alinhamento articular não é restaurado adequadamente. Isso não significa que todos os pacientes desenvolverão artrose.

Tratamento da fratura do tornozelo com especialista

A escolha do tratamento da fratura do tornozelo exige uma avaliação individualizada, considerando o padrão da lesão, a estabilidade articular, as condições dos tecidos e as necessidades de cada paciente.

O objetivo é obter a consolidação óssea com alinhamento adequado, recuperar a função do tornozelo e permitir um retorno seguro às atividades diárias.

Se você sofreu uma fratura do tornozelo ou recebeu um diagnóstico após um trauma, procure avaliação de um ortopedista para conhecer as opções de tratamento mais adequadas ao seu caso.

Agende uma avaliação com um ortopedista especialista em pé e tornozelo em São Paulo.